quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ensinarás

No dia 14/09, em reunião de equipa alargada (equipa técnica e voluntários/as), a voluntária Lurdes Valente trouxe este texto para refletirmos... E foi bem vindo...

Ensinarás a voar…
Mas não voarão o teu voo.
Ensinarás a sonhar…
Mas não sonharão o teu sonho.
Ensinarás a viver…
Mas não viverão a tua vida.
Ensinarás a cantar…
Mas não cantarão a tua canção.
Ensinarás a pensar…
Mas não pensarão como tu.
Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem…
Estará a semente do caminho ensinado e aprendido!

(Madre Teresa de Calcutá)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O contrário do amor


«O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro. Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor. Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada. Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.»
                                                                                              Martha Medeiros

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor não é um jornal para embrulhar peixe


«À falta de amor, o mundo deveria fazer uma requisição civil, dessas que se fazem por aí para tramar os sindicalistas. Contudo, a operação poderá vir a revelar-se difícil, porque a população civil existente pode muito bem não ser em número suficiente para suprimir tamanha carência, isto é, seria a mesma coisa do que querer ganhar dinheiro onde ele não existe. E é pena. Uma das grandes vantagens do amor, sobretudo em tempos de austeridade como esta que vivemos, é ser justamente de graça. Acho de resto muita piada às pessoas que dizem “Não há dinheiro que pague o amor que sinto por ti!”, ora com franqueza, o amor não custa dinheiro algum, “Tenho todo o amor do mundo”, pudera, então não haveria de ter, isto sendo de graça levasse tudo o que houver. No entanto, sendo gratuito, o amor é das poucas coisas no mundo que não se pode comprar. E desenganem-se os que pensam ao contrário, esses casos de prostituição sentimental que todos conhecem e que poderiam muito bem contrariar o que agora digo, pois isso é outra coisa. E essa coisa não é amor. Se calhar compraram sexo, uma companhia diária, alguém para estar consigo o tempo todo, mas nunca o amor, porque mesmo que a outra pessoa o queira de facto dar, ela saberá tão bem quanto nós, que não pode dar uma coisa que não tem. Como o dinheiro, lembram-se? Contudo, por ser de graça, é que se inventaram problemas a ele associados de forma a que nunca o subestimem e vulgarizem e o deixem no banco do autocarro tal qual um jornal que no limite serve para embrulhar peixe. O amor não é um jornal desses e mesmo gratuito não se quer ao abandono. O amor é de graça sim, mas nenhum dinheiro do mundo o poderá comprar.»

Fernando Alvim (Humorista)